Gnosticismo
Salvação por conhecimento secreto e desprezo pela matéria criada.
- Época
- Séculos I-II
- Região
- Mediterrâneo Oriental (Alexandria, Síria, Ásia Menor, Roma)
- Heresiarca
- Valentim, Basílides, Carpócrates (entre outros mestres gnósticos)
- Tese errada
- A salvação se dá por um conhecimento esotérico (gnosis) reservado a iniciados, e a matéria é obra de um demiurgo inferior, não do Deus supremo.
- Erro central
- A negação da bondade da criação material e a redução da salvação a um saber secreto, em vez da fé e da graça acessíveis a todos.
- Resposta da Igreja
- A Igreja afirmou a bondade de toda a criação como obra do único Deus, a salvação oferecida a todos pela fé e pelos sacramentos, e a transmissão pública e apostólica da verdade (regra de fé), fixando o cânon das Escrituras contra os evangelhos gnósticos.
- Fonte
- Santo Irineu de Lião, Adversus Haereses; Catecismo da Igreja Católica, n. 285-289
O gnosticismo não foi um sistema único, mas uma constelação de seitas que floresceram nos dois primeiros séculos cristãos, sobretudo em Alexandria, na Síria e em Roma. Mestres como Valentim e Basílides ensinavam que o cosmo material era obra de um demiurgo inferior e que apenas uma elite de iniciados, possuidores de um conhecimento secreto (gnosis), alcançaria a salvação, escapando do mundo material tido por mau.
A Igreja respondeu com a afirmação enérgica de que há um só Deus, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, e que a criação é boa. Santo Irineu de Lião, no 'Adversus Haereses', mostrou que a verdade cristã é pública, transmitida pela sucessão apostólica, e não um segredo reservado.
O combate ao gnosticismo levou a Igreja a precisar a 'regra de fé' e a delimitar o cânon das Escrituras, rejeitando os numerosos escritos apócrifos gnósticos. O movimento declinou a partir do século III, embora suas tendências dualistas reaparecessem depois no maniqueísmo e no catarismo.