Catarismo (Albigenses)
Dualismo que condena a matéria e nega a criação como obra de Deus.
- Época
- Séculos XII-XIII
- Região
- Sul da França (Languedoc) e Norte da Itália
- Concílio
- Concílio de Latrão IV (1215)
- Tese errada
- Dois princípios eternos, um bom (espírito) e um mau (matéria); o mundo material e o corpo seriam obra do mal, devendo ser rejeitados.
- Erro central
- O dualismo que nega a bondade da criação material, a Encarnação e os sacramentos, e a unidade de Deus criador.
- Resposta da Igreja
- A Igreja reafirmou que há um só Deus criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, a bondade da matéria, a verdade da Encarnação e a ressurreição da carne.
- Fonte
- Concílio de Latrão IV (1215), capítulo Firmiter
Nos séculos XII e XIII, ressurgiu no Ocidente, sobretudo no Languedoc, um dualismo aparentado ao antigo gnosticismo e ao maniqueísmo: os cátaros (de katharos, 'puros'), chamados albigenses por causa da cidade de Albi, sustentavam dois princípios eternos, um bom e um mau. O mundo material, o corpo e o casamento seriam obra do mau; a salvação consistia em libertar-se da matéria pela ascese extrema dos 'perfeitos'.
A resposta veio em duas frentes. No plano da fé, o Concílio de Latrão IV (1215) reafirmou solenemente um só Deus criador de tudo, contra o dualismo. No plano pastoral, São Domingos de Gusmão entendeu que só uma pregação acompanhada de pobreza evangélica autêntica poderia reconquistar os fiéis, e fundou a Ordem dos Pregadores.
Houve também a violenta cruzada albigense e a atuação da Inquisição, instrumentos do contexto medieval que não esgotam a resposta doutrinal da Igreja. O catarismo desapareceu ao longo do século XIV.