Donatismo
Sacramentos só valeriam por ministro santo; Igreja só de puros.
- Época
- Séculos IV-V
- Região
- Norte da África (Cartago e Numídia)
- Heresiarca
- Donato de Cartago
- Concílio
- Condenado em sínodos (Arles, 314) e abordado no Concílio de Cartago (411)
- Tese errada
- A validade dos sacramentos dependeria da santidade pessoal do ministro, e a Igreja só seria composta de puros, excluindo os que fraquejaram na perseguição.
- Erro central
- A negação da validade objetiva dos sacramentos (independente da dignidade do ministro) e da catolicidade da Igreja, que abriga santos e pecadores.
- Resposta da Igreja
- A Igreja afirmou que os sacramentos agem por Cristo (ex opere operato), independentemente da santidade do ministro, e que ela é santa abrigando também pecadores em seu seio.
- Fonte
- Santo Agostinho, Contra epistulam Parmeniani; De baptismo
Após a perseguição de Diocleciano, surgiu no Norte da África uma controvérsia: os 'lapsi' e sobretudo os 'traditores' (clérigos que entregaram as Escrituras aos perseguidores) podiam continuar exercendo o ministério? Os rigoristas, liderados por Donato, negaram, considerando inválidas as ordenações e sacramentos administrados por indignos, e formaram uma Igreja paralela de 'puros'.
Santo Agostinho foi o grande adversário do donatismo. Distinguiu a validade do sacramento — que depende de Cristo, seu autor, e não da santidade do ministro — da sua fecundidade, e ensinou que a Igreja é, neste mundo, um campo onde joio e trigo crescem juntos até a colheita.
Sínodos como o de Arles (314) e o grande Concílio de Cartago (411) condenaram o cisma. A doutrina agostiniana sobre o 'ex opere operato' tornou-se patrimônio permanente da teologia sacramental católica.