Heresia

Jansenismo

Graça irresistível, salvação de poucos e rigorismo que afasta da Comunhão.

Época
Séculos XVII-XVIII
Região
França e Países Baixos
Heresiarca
Cornélio Jansênio (autor do 'Augustinus')
Tese errada
A graça seria irresistível e concedida apenas a um pequeno número de predestinados; a natureza humana estaria de tal modo corrompida que Cristo não teria morrido por todos, com um rigorismo moral que afastava da Comunhão.
Erro central
A negação da universalidade da vontade salvífica de Deus e da liberdade humana sob a graça, com rigorismo penitencial excessivo.
Resposta da Igreja
A Igreja reafirmou que Cristo morreu por todos os homens, que a graça respeita a liberdade e que os fiéis são chamados à Comunhão frequente, condenando as proposições jansenistas.
Fonte
Bula Cum Occasione (1653) e Constituição Unigenitus (1713)

O jansenismo nasceu do livro 'Augustinus', publicado postumamente (1640) pelo bispo Cornélio Jansênio, que pretendia restaurar a doutrina agostiniana da graça mas a endureceu até o erro. Ensinava que a graça é irresistível e dada só a alguns predestinados, que a liberdade fica praticamente anulada e que Cristo não morreu por todos. Difundiu-se sobretudo a partir do mosteiro de Port-Royal, com forte rigorismo moral que tornava raros os sacramentos.
A Santa Sé condenou repetidamente o sistema: o papa Inocêncio X reprovou cinco proposições extraídas do 'Augustinus' (1653) e, mais tarde, Clemente XI condenou-o de modo amplo na bula Unigenitus (1713). A Igreja reafirmou a vontade salvífica universal de Deus, a colaboração da liberdade com a graça e o valor da Comunhão frequente.
Santos como São Vicente de Paulo e, sobretudo, Santo Afonso Maria de Ligório — com sua moral da misericórdia e da confiança — foram antídotos vivos contra a tristeza e a dureza jansenistas, cujos resíduos pastorais persistiram por gerações.

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